Acontecimentos cíclicos a cada quatro anos vão além das eleições e muitas vezes não trazem esperança de melhoras, a exemplo destas, para a população. Em Rondônia há costume de mexer com métodos de trabalho que estão dando certo há tempos, mas que, por motivos não técnicos, tiram de quem mais busca esse serviço, o direito de continuar dispondo da qualidade e presteza que vem repassando ao povo.
O último exemplo é a tentativa de mudar o horário de atendimento nas unidades da Agência Idaron, destinada a um público que sempre manteve este Estado de pé e no caminho certo do desenvolvimento: o produtor rural. Inversamente proporcional ao trabalho que faz pelo engrandecimento de Rondônia é o interesse de alguns em dar ao produtor condições para que possa deixar sua propriedade, muitas vezes afastada das cidades, e obter nos centros urbanos os benefícios pagos pelos seus impostos e que não são disponibilizados nas linhas rurais.
Longe das críticas vazias ou de um a visão unilateral ou da pessoalidade dos fatos, matéria recente publicada na última semana nesta mesma Folha de Rondônia (página 1-8) expôs a opinião de quem será mais afetado pela possível e negligente alteração no horário de atendimento na Agência Idaron, passando de dois períodos (manhã e tarde) para apenas o período da manhã o atendimento ao público.
Essa medida é altamente prejudicial ao produtor rural, senão vejamos. O cidadão mora distante demais, onde até muito pouco tempo nem luz elétrica tinha, mas mesmo assim as manteve firme no propósito de legar aos filhos e netos uma vida melhor. Tira leite de sua vaquinha toda madrugada e tem que repetir isso, incondicionalmente, já que não dá pra combinar com o bovino que feche as torneiras nesse ou naquele dia. Acontece que naquele dia tem que ir à cidade para pegar um documento na Agência Idaron e tem que ir antes do dia clarear, senão não encontra as portas abertas. Resolve arriscar e só sair quando fizer a ordenha, mas não chega a tempo na cidade, mesmo tendo travado uma luta contra o tempo, e encontra tudo fechado. Na sua chegada encontra de saída outro produtor, que quis levar informações sobre irregularidades em uma propriedade vizinha.
Resultado, nem o primeiro conseguiu o documento que foi buscar, nem o Idaron teve informação para coibir o que pode ser a semente de um foco de febre aftosa, por exemplo. Todos perderam.
Conclusão: a máxima do futebol cabe nesta situação (o da mudança de horário nas Agências Idaron), em time que está ganhando não se mexe, e o atendimento na Idaron em dois períodos vem dando de goleada há mais de dez anos. Não há motivos para mudar isso agora.