Liga Camponesa Pobres invade de novo fazenda Santa Elina
A nova invasão poderá comprometer a conclusão da reforma agrária na fazenda.
As informações ainda são desencontradas, mas foi confirmado no início desta semana que cerca de 80 famílias pertencentes à Liga Camponesa Pobres (LCP), de Jaru, de Corumbiara e de outras cidades do Cone Sul do Estado de Rondônia invadiram no domingo passada parte da fazenda Água Viva, uma das três fazendas remanescentes da Fazenda Santa Elina, divisa com as fazendas Maranata e Nossa Senhora Aparecida e que estava sendo objeto de reforma agrária. A informação foi repassada no final da tarde de ontem pelo comandante da Companhia da Polícia Militar do Município de Chupinguaia, Sargento PM Íter José Lopes da Silva que esteve no local. De acordo com o comandante, os invasores estão armados e já bem próximo da sede da fazenda. Ele contou que ao chegar à fazenda foi recebido por um “olheiro” um dos invasores que fica na entrada da fazenda para identificar quem chaga ao local. Ao avistar que se tratava da polícia e como estava armado o invasor fugiu mata a dentro. O comandante contou que por enquanto a situação é de normalidade, mas teme que possa se repetir o que já ocorreu em 1995 quando dois policiais e nove sem-terras morreram no confronto. No mês de abril deste ano o Diário Oficial da União publicou o decreto de desapropriação, destinando parte da área do conflito ocorrido em 1995 que ficou mundialmente conhecido como “Massacre de Corumbiara”, para fins de reforma agrária e nela deverão ser contemplado famílias remanescentes do movimento de invasão que ocorreu em 1995, já cadastradas. No documento encaminhado à imprensa pelo Superintendente Estadual do Incra, Carlino Lima faz uma alerta que até a conclusão dos procedimentos administrativos a área será preservada de qualquer tentativa ou ocupação e que o caso já é do conhecimento da Polícia Federal e Polícia Militar que já foram oficializados pelo órgão. Carlino lembra que os trabalhos de cadastramento e seleção de famílias de trabalhadores rurais sem terra, que antecedem a criação do projeto de assentamento, são de atribuição exclusiva do Incra. Neste caso específico, serão priorizadas as famílias remanescentes do chamado “Massacre Corumbiara”. Qualquer tentativa de invasão na área inviabilizará o procedimento expropriatório, conforme estabelece a lei 8.629/93. O superintendente alerta ainda que todos os supostos cadastros que teriam sido feitos por supostos líderes de movimentos, sindicatos, prefeituras e associações não terão nenhum valor jurídico. O advogado dos fazendeiros, Sandro Salonski Martins que atua no processo disse no final da tarde de ontem, 28 que os fazendeiros já estão tomando todas as medidas judiciais necessárias para preservar o patrimônio. O advogado está desde o início da semana em São Paulo acertando detalhes do processo e só deverá retornar a Vilhena em meados da próxima semana. O simples fato dos sem-terras terem invadido mais uma vez a fazenda, pode inviabilizar o processo de desocupação por parte do Incra , já que o processo ainda está em fase de recurso e de acordo com o decreto de desapropriação, caso seja concretizada a sua desapropriação, serão beneficiados as famílias remanescentes do conflito de 1995, já devidamente cadastradas pelo Incra. Há por parte da polícia de Chupinguaia um grande temor de um novo conflito, uma vez que vários movimentos devem chegar na área e pode haver um confronto com quem já está há quase uma semana na área.